“O Museu estará no roteiro da cidade de Lisboa”
Na segunda parte da entrevista ao Jornal ‘O Benfica’, o presidente Luís Filipe Vieira aborda temas como o Museu, o Fundo de jogadores ou os Sócios. Não perca e compre já a edição desta sexta-feira, dia 3 de Dezembro, do semanário do Maior Clube do Mundo.
- Vemos no seu discurso, constantemente, referir as pessoas, os Sócios, sempre que se refere à Instituição, às estruturas e às organizações. Diria que é um modelo diferente quer de um presidente do Benfica, quer de um presidente de outro qualquer clube de futebol. Este é um factor de o distingue de outras personalidades do futebol mundial. Isto é, não se constrói uma marca sem falar dos sócios. E não é impunemente que, passados dez anos, mais que duplicou o número de Sócios do Sport Lisboa e Benfica, sendo certo de que nesses dez anos ocorreram dois grandes títulos e outros adjacentes, aumentaram os valores das quotas, quando o País vive uma crise profunda, o que significa que os patrocinadores têm mais dificuldade em abrir os cordões à bolsa. Apesar de tudo, os Sócios estão sempre no centro das suas preocupações. Será que são os sócios que resolvem todos os problemas do Benfica ou, no fundo, há uma sinergia diferente concentrada numa pirâmide que está nas mãos do presidente do Clube?
- O discurso tem muito a ver com a pessoa em si. As empresas são as pessoas e, logicamente, o Benfica tem de ser as pessoas. Tudo o que se tem feito no Sport Lisboa e Benfica foi, e é, a pensar em pessoas, em primeiro lugar. Elas podem ser sócias, ser adeptas ou simpatizantes que vivem o Clube à sua maneira. Mas eu tenho de ser frio na gestão que faço, porque o Benfica não muda a minha personalidade e forma de pensar. Como tal, considero as pessoas muito importantes e por isso dei muito à humanização do Clube. Curiosamente, perguntam-me porque não penso mais no Futebol, mas eu sei que estou no caminho certo, que vou ganhar mais vezes e quem vier a seguir a mim vai ganhar muitas vezes, também. O que interessa quando se está num projecto desta dimensão é olhar para ele com seriedade, sem ser leviano. Em termos estratégicos devem cometer-se o menor número de erros. Se me desviar do meu ideal de que o Benfica são as pessoas, então estarei a faltar ao meu compromisso. A principal fonte de receita do Clube são os Sócios e isto aconteceu naturalmente o que mostra que a nossa estratégia está certa. Tem sido nos momentos menos bons da equipa que os Sócios têm estado por perto, e neste aspecto temos de ser uma referência mundial. Por exemplo, houve clubes que tornaram os cartões de sócio em cartões de crédito, mas eu nunca quis que assim fosse. O cartão do Benfica é do sócio. Se quiserem um cartão de crédito terá de existir outro cartão.
- Isso é um compromisso seu?
- É! O banqueiro que o fez ficou estupefacto, mas, para mim, o cartão de sócio é mais importante do que o cartão de crédito, como tal os dois num só, para mim, não faz sentido.
- Como é que o presidente do Benfica vê os presidentes de outros clubes estarem a seguir a pouco e pouco as soluções que o Benfica tem implementado?
- Eu costumo dizer ao meu filho: “Eu trouxe uma aragem ao futebol português.” Julgo que esse ar fresco que trouxe tem mexido com as pessoas e hoje sinto um orgulho muito grande quando vejo outros presidentes dizerem: “O nosso principal activo são os sócios” e há bem pouco tempo nem pensavam nisso, só davam valor ao dinheiro e à SAD. Eu contra mim falo, ainda hoje não sei porque é que foi feita uma SAD, apesar de ser accionista da mesma. Ainda não vi uma virtude em ter sido criada a SAD, porque com este modelo de profissionalização que o Clube tem, toda a informação flui entre a SAD e o Clube, e talvez a mesma não tivesse sido necessária. Hoje ela existe e o Benfica não se pode libertar, mas irá libertar-se de outros encargos no futuro.
- Falámos da história, acentuando a sua obstinação pela mesma, sedimentada num Museu. Recentemente, esteve reunido com a Câmara Municipal de Lisboa. Podemos concluir que o projecto de construção de um grande Museu do Benfica está na fase final?
- Uma coisa posso garantir aos benfiquistas – o Estádio da Luz vai passar a estar no roteiro da cidade de Lisboa. Ou melhor, o Museu estará no roteiro da cidade. Em relação à reunião com a Câmara de Lisboa, é bom que fique claro que para fazer alterações a qualquer projecto tem de ser com a autorização da Câmara, que cedeu imediatamente e o Benfica fez logo as suas próprias alterações. Pode falar-se com a Câmara, igualmente, sobre a questão de índole social, havendo uma parceria sobre vários prédios camarários que estão devolutos. Não queremos nenhuma antiga glória nossa a viver na rua. E como já tivemos conversas com a Câmara sobre este assunto, talvez se venha a passar algo...
Texto: José Nuno Martins e Pedro Guerra - Sport Lisboa e Benfica




































